SOCAN - Sociedade Orquidófila Cantareira

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SOCAN - Sociedade Orquidófila Cantareira


Fundada em 20 de abril de 1996, a SOCIEDADE ORQUIDÓFILA CANTAREIRA - SOCAN é uma entidade com finalidade cultural, científica e ecológica, sem fins lucrativos, econômicos e políticos.
Tem como objetivos divulgar a orquidofilia, conscientizar seus associados e a comunidade sobre a importância da natureza em geral, zelar, proteger e presevar as orquídeas em seus habitat, ensinar seu cultivo e formar novos orquidófilos e apreciadores de orquídeas.
Estamos abertos a todas as pessoas interessadas em conhecer mais sobre os segredos das orquídeas.

 

Banco de Sementes de Orquídeas

O site Globo.com publicou recentemente que cientistas britânicos estão na linha de frente da criação de uma rede internacional de depósitos de sementes de orquídeas. A iniciativa ajudaria a conservar centenas de espécies de uma das mais belas plantas floridas, segundo reportagem do jornal "The Independent".

Uma equipe do Kew Gardens, de Londres, coordena o Projeto Reservatórios de Sementes de Orquídeas para Uso Sustentável (Osssu, na sigla em inglês). Cientistas de dezenas de países contribuirão para o projeto, cujo orçamento previsto é de R$ 5,3 milhões. A meta é proteger pelo menos 2 mil espécies de orquídeas até 2015.

Philip Seaton, diretor do projeto, afirmou que as flores representam um importante alerta vindo dos ecossistemas em crise. Há mais de 20 mil espécies de orquídeas. Elas representam uma em cada oito espécies de plantas floridas do mundo. Cerca de 25% estão em risco de extinção, segundo Hugh Pritchard, um dos líderes do projeto.

O projeto nasceu de uma doação do governo britânico em 2007 destinada ao desenvolvimento de bancos de sementes em locais de destacada biodiversidade da Ásia e América Latina. Países como Equador, Brasil, Colômbia, Cuba, China, Indonésia, Tailândia e Filipinas já se comprometeram com projetos para conservar sementes. Ainda assim, apenas cerca de 250 espécies foram armazenadas até agora. O esforço para proteger centenas de outras espécies é mais uma tática de segurança contra as ameaças de desmatamento e mudanças climáticas, bem como os danos feitos por colecionadores, que coletam as plantas com fins lucrativos.

A rede Osssu pretende alcançar 30 países. Alguns, como Índia, EUA, Itália, Canadá, Quênia e Camarões estão prestes a abraçar a iniciativa. O projeto será apresentado na quarta edição do Congresso Internacional de Conservação das Orquídeas, um evento anual, que desta vez ocorrerá em maio, na República Tcheca.

 

Estudo de cultivo de orquídea da SOCAN continua

O Estudo de Cultivo de Orquídeas da SOCAN continua a todo vapor. Já foram feitas três avaliações que apontaram sucessos e fracassos comuns a quase todos os associados. Na primeira avaliação, alguns exemplares em estudo apresentaram bom desenvolvimento, espatas florais e brotos novos. Na segunda avaliação, algumas plantas floriram, apresentando bulbos saudáveis e flores de boa forma. Mas plantas de três associados morreram.

Na terceira avaliação alguns problemas começaram a surgir: os bulbos de quase todas as plantas avaliadas apresentaram desidratação e as folhas apresentavam manchas espalhadas e escuras aparentando virus. Até aquelas que estavam saudáveis e floridas regrediram e apresentaram o mesmo problema. O curioso é que todas as plantas, mesmo as desidratadas e com folhas podres, apresentaram bom enraizamento e brotos saudáveis.

Após estudos, a diretora técnica Mary Ozawa concluiu que as manchas apresentadas nas folhas eram reação à mudança brusca de temperatura, o que causou o rompimento dos dutos de seiva. As plantas que foram abrigadas em estufas não apresentaram o problema.

Este estudo terá a duração de dois anos, com o objetivo de acompanhar o desenvolvimento dessas plantas no cultivo de cada associado – tipo de vaso e substrato, ambiente, adubos e prevenção de pragas e doenças. Após esse período, será feita uma avaliação final e a conclusão do estudo será publicada no site da SOCAN.

A SOCAN comprou 40 mudas do Rhyncholaeliocattleya  William Farrel "Pastel Parade", registrada por Armacost em 1/12/1980, fruto do cruzamento Cattleya Helen Veliz e Rhyncholaeliocattleya Llano.

 

 

Laelia lobata semi-alba existe

Desde que entrei na orquidofilia ouço falar que não existe Laelia lobata semi-alba. Que o cruzamento de um exemplar tipo com uma flor alba, sempre resultará em tipo.

Recentemente o amigo orquidófilo Carlos Keller desmistificou esta máxima apresentando no "Mundo Orquidófilo" a foto da Laelia lobata semi-alba 'Maria Cristina'. "Esta é uma divisão do único exemplar da variedade semi-alba de Laelia lobata que se conhece. Tanto mistério e tanta desinformação permearam a história dessa planta, que hoje ela é considerada uma lenda", disse ele no e-mail.

O descobridor da Laelia lobata semi-alba ‘Maria Cristina’ foi o botânico, pesquisador e orquidófilo Francisco Miranda, morador do Rio de Janeiro, no bairro do Alto da Boa Vista, onde, na época, mantinha um orquidário comercial. Tempestades sempre deslocavam do alto da Pedra da Gávea touceiras de Laelia lobata dentre outras plantas e era o costume dos orquidófilos irem percorrer a base da pedra após fortes temporais em busca desses remanescentes. Essa planta foi encontrada por Francisco Miranda em uma visita que fez, acredito eu no início dos anos 80, à base da pedra, abaixo de um paredão conhecido por ele pela grande quantidade de plantas que dali rolavam com as ventanias. Acompanhado de um amigo de nome Carlos Eduardo, ele coletou alguns exemplares soltos caídos no chão e entre eles veio esta linda semi-alba.

Não sei dizer se a planta estava ou não florida naquele momento, mas se estivesse, a variedade poderia ter sido detectada mesmo com as flores danificadas. Certamente a planta floriu posteriormente no seu orquidário, confirmando a variedade, quando então recebeu o nome clonal de ‘Maria Cristina’ em homenagem à sua esposa.

Existe outra versão sobre as circunstâncias da descoberta dessa semi-alba, onde dizem que ela foi avistada pelo Francisco Miranda e amigos toda florida, no alto de um penhasco de pedra nua, vegetando em uma pequena reentrância na pedra há cerca de 20 metros de altura. Para coletarem a touceira, um dos membros do grupo (Sr. Stein e não o irmão alpinista do Francisco, Carlos Alberto), desceu por uma corda desde uma árvore acima da planta em questão, com o objetivo de tentar subir com ela nos braços. Infelizmente durante o processo a touceira se desprendeu da pedra e caiu lá de cima com as folhas voltadas para baixo, quebrando quase todas.

Na verdade essa estória aconteceu mesmo, mas não foi com a Laelia lobata semi-alba, mas sim com uma Laelia lobata cerúlea de excepcional coloração, a qual sobreviveu bem ao desastre. Como vocês podem ver, as estórias estão certas, só que com plantas diferentes.

Quero lembrar aqui que esses fatos ocorreram há mais de 30 anos, quando não se tinha a consciência ecológica que se tem hoje, nem se tinha a grande oferta de orquídeas espécie vindas de cruzamentos e produzidas em laboratório como existe hoje.

Hoje o Francisco Miranda vive nos Estados Unidos e acredito que a planta original com ele lá esteja. Uma vez que essa Laelia lobata nas mãos do Francisco se apresentou ser de crescimento muito lento (a minha também cresce apenas um pseudobulbo por ano), o Francisco optou por não dividir a touceira por medo de estressá-la demais no processo. Fez, no entanto, um self dela, mas constatou que a fertilidade das sementes foi muito baixa, gerando apenas poucos seedlings, sendo que a maioria deles morreu durante a passagem do frasco para o coletivo. Aparentemente restaram apenas onze seedlings já maiores, dos quais, cinco foram trocados com outros orquidófilos (talvez até nos EUA) e seis permaneceram no orquidário do Francisco Miranda na Flórida.

A esposa do Francisco Miranda, Maria Cristina, informou em um e-mail enviado à um amigo nosso em comum, Paulo Márcio, em 13 de janeiro de 2006, que na época, dos seis exemplares dois já haviam florido, apresentando coloração idêntica à mãe.

No Brasil, o primeiro orquidófilo a possuir uma divisão da planta original foi o Aldomar Sander, de Osório, RS. Ele adquiriu do Francisco Miranda uma rabeira dela na ocasião da exposição mundial de orquídeas que houve no Rio de Janeiro em 1996. Os selfs vieram depois. Nas mãos verdes do Sander, a planta cresceu bem e entouceirou rapidamente, o que propiciou posteriormente que algumas divisões dela pudessem ser vendidas. Uma das divisões da planta do Sander é esta da foto. Carlos Keller a adquiri do Emerson Hulmann, de Salto, SP, o qual a comprou do Sander. Acredito que os exemplares semi-albos provenientes da autofecundação da planta mãe existentes no Brasil sejam provenientes ou do orquidário Carlos Gomes, ou do Sander, ou do Emerson Hulmann.

Em 11 de novembro de 2008, exatamente há 3 anos atrás, o Carlos Gomes publicou na lista Mundo Orquidófilo 3 fotos mostrando o excelente cultivo e floração de um dos dois exemplares da sua coleção. Clonar essa Laelia seria uma maneira de popularizá-la com rapidez, mas mesmo eu que sou um entusiasta da clonagem, concordo que essa semi-alba ainda não está pronta para ser eternizada numa clonagem. Ao se abrir, a flor desse exemplar semi-albo apresenta pétalas planas e excelente armação. Alguns dias depois, a flor começa a se enrolar e as pétalas dobram-se um pouco longitudinalmente para trás, prejudicando bastante a aparência da flor. Uma vez corrigido esse e alguns outros pequenos problemas em um dos seus descendentes, ele estará pronto para ser meristemado.

 

Identificação

Fotos